A Eakerita: Um Silicato de Estanho Extremamente Raro
A Eakerita: Um Silicato de Estanho Extremamente Raro
A eakerita é um mineral de silicato de estanho de ocorrência extremamente rara, pertencente à classe dos ciclosilicatos. Sua fórmula química ideal é Ca₂SnAl₂Si₆O₁₈(OH)₂·2H₂O. Devido à sua raridade, ela é conhecida principalmente por mineralogistas e colecionadores especializados. Este artigo apresenta uma análise completa do mineral, abordando a origem do nome, variedades, história, composição química, propriedades físicas e ópticas, cristalização, ocorrências geográficas, utilizações e o panorama de pesquisas recentes.
Origem do Nome
O nome “eakerita” homenageia Jack Eaker (1930–2021), analista de laboratório da Foote Mineral Company em Kings Mountain, Carolina do Norte (EUA). Eaker foi o responsável pela descoberta do mineral e suspeitou, corretamente, que se tratava de uma nova espécie. A pronúncia usual é aproximadamente “íkerait”.
História
A eakerita foi aprovada pela International Mineralogical Association (IMA) em 1969 e descrita formalmente em 1970 por Peter B. Leavens, John Sampson White Jr. e Max H. Hey, no periódico The Mineralogical Record. A localidade-tipo é a mina Foote Lithium Co. (também conhecida como Foote Mine), em Kings Mountain, Cleveland County, Carolina do Norte, EUA. Posteriormente, o mineral foi identificado em uma segunda ocorrência na Rússia. Desde sua descrição, permanece como uma espécie de grande interesse colecionável, mas de relevância científica limitada devido à escassez de material.
Composição Química
A fórmula química ideal é Ca₂Sn⁴⁺Al₂Si₆O₁₈(OH)₂·2H₂O.
Análises típicas da localidade-tipo indicam aproximadamente:
- SiO₂ ≈ 46,75 %
- SnO₂ ≈ 18,59 %
- Al₂O₃ ≈ 14,07 %
- CaO ≈ 14,2 %
- H₂O ≈ 6,7 %
O estanho encontra-se no estado de oxidação +4. Trata-se de um ciclosilicato com anéis ramificados de quatro membros de silicato.
Propriedades Físicas e Ópticas
- Dureza na escala de Mohs: 5,5.
- Densidade relativa: 2,93 g/cm³ (medida); 2,931 g/cm³ (calculada).
- Ponto de fusão: não há dados experimentais amplamente publicados na literatura, o que é comum em minerais extremamente raros.
- Clivagem: não observada.
- Fratura: conchoidal.
- Índice de refração: nα = 1,584; nβ = 1,586; nγ = 1,600. Birrefringência δ = 0,016.
- Cor: incolor a branco.
- Brilho: vítreo.
- Transparência: transparente a translúcida.
- Traço: branco.
Opticamente é biaxial positiva, com ângulo 2V medido em torno de 35° (calculado ≈ 42°). Apresenta dispersão marcada (r > v). Não apresenta pleocroísmo significativo nem fluorescência notável.
Cristalização
A eakerita cristaliza no sistema monoclínico, classe 2/m (prismática), grupo espacial P2₁/a (ou P2₁/b em outra orientação). Os parâmetros da cela unitária são aproximadamente a = 15,83 Å, b = 7,72 Å, c = 7,44 Å e β ≈ 101,3°. Os cristais são tipicamente prismáticos, alongados segundo [001], com zona prismática estriada, e podem atingir até cerca de 5 mm de comprimento. Formas comuns incluem {111}, {210}, {410}, {201}, {001} e {100}. Ocorrem também inclusões aciculares ou em forma de ripas (lathlike) em andradita estanífera. Maclas de interpenetração em forma de cruz ou de “V” foram observadas na localidade-tipo.
Variedades
Não são reconhecidas variedades formais da eakerita. O mineral ocorre de forma relativamente homogênea nas duas localidades conhecidas, com variações menores de cor (incolor a branco leitoso) e tamanho dos cristais.
Localização Geográfica
A eakerita é conhecida em apenas duas localidades no mundo:
- Localidade-tipo: Foote Lithium Co. Mine (Foote Mine), Kings Mountain, Cleveland County, Carolina do Norte, EUA. Ocorre em uma costura hidrotermal em pegmatito portador de espodumênio, associada a tetrawickmanita, bavenita, quartzo e albita.
- Segunda ocorrência: depósito de skarn estanífero de Kitel’skoye (ou Pitkyaranta), ao norte do Lago Ladoga, República da Carélia, Rússia. Aparece como inclusões exsolvidas em andradita rica em estanho.
Não há registros confirmados de outras ocorrências.
Utilização
Devido à sua extrema raridade e ao tamanho geralmente milimétrico dos cristais, a eakerita não possui aplicações industriais ou comerciais. Seu valor é exclusivamente científico e colecionável. Espécimes bem formados da mina Foote são altamente apreciados por colecionadores de minerais raros e figuram em museus e coleções particulares especializadas. Não é utilizada como gema nem como minério de estanho, dada a escassez de material.
Notícias e Pesquisas Recentes
A eakerita não tem sido objeto de pesquisas intensivas nas últimas décadas, o que é típico de espécies extremamente raras com ocorrência limitada. A literatura científica concentrou-se principalmente na descrição original (1970) e em estudos estruturais complementares realizados nos anos seguintes. Não há relatos de novas localidades, sínteses laboratoriais ou aplicações tecnológicas publicadas entre 2020 e 2026. O interesse permanece restrito à comunidade de mineralogistas sistemáticos e colecionadores. A morte de Jack Eaker em 2021 foi ocasionalmente mencionada em círculos colecionistas como marco histórico relacionado ao mineral.
Em síntese, a eakerita é um exemplo clássico de mineral raro de origem hidrotermal/pegmatítica, cuja importância reside na contribuição para o conhecimento da mineralogia do estanho e na beleza de seus pequenos cristais prismáticos. Sua restrição a apenas duas localidades no mundo reforça seu status de espécie de grande interesse para colecionadores e pesquisadores especializados em silicatos de elementos menos comuns.
Fontes principais: Handbook of Mineralogy, Mindat.org, American Mineralogist / Mineralogical Record (descrição original de 1970), e bases de dados mineralógicas especializadas.
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