A cilindrita, um mineral sulfossalt complexo contendo chumbo, estanho, ferro e antimônio, destaca-se na mineralogia por sua morfologia cilíndrica incomum, que a torna única entre os minerais. Formada em veios hidrotermais ricos em estanho, a cilindrita representa um exemplo fascinante de estruturas cristalinas incommensuráveis, onde camadas pseudohexagonais e pseudotetragonais se alternam. Esta dissertação explora de forma abrangente os aspectos da cilindrita, abrangendo a origem de seu nome, variedades, história, composição química, propriedades físicas e ópticas, cristalização, localizações geográficas, utilizações e notícias recentes. Integrando conhecimentos da mineralogia clássica com avanços contemporâneos, destaca-se o papel da cilindrita em depósitos polimetálicos e seu potencial em aplicações modernas.
Origem do Nome
O nome "cilindrita" origina-se do grego kýlindros, que significa "rolo" ou "cilindro", aludindo ao seu hábito cristalino cilíndrico característico, que é praticamente único no reino mineral. Essa denominação reflete a morfologia distinta do mineral, observada desde sua descoberta no final do século XIX.
Variedades
A cilindrita não apresenta variedades morfológicas principais, mas possui sinônimos como "kylindrite". Em outras línguas, é conhecida como "cilindrita" em catalão e espanhol, "cylindriet" em holandês e "圆柱锡矿" em chinês simplificado. Agregados esféricos ou maciços são comuns, mas não constituem variedades distintas.
História
A história da cilindrita remonta a 1893, quando foi descrita pela primeira vez pelo mineralogista August Frenzel na publicação Ueber den kylindrit no Neues Jahrbuch für Mineralogie, Geologie und Palaontologie. O local tipo é a Mina Santa Cruz, em Poopó, Província de Poopó, Departamento de Oruro, Bolívia. Reconhecida pela IMA como "grandfathered" (descrita antes de 1959), a cilindrita tem sido estudada por sua estrutura complexa, com avanços recentes confirmando sua natureza incommensurável.
Composição Química
Quimicamente, a cilindrita é representada pela fórmula Pb₃Sn₄FeSb₂S₁₄ ou FePb₃Sn₄Sb₂S₁₄, com pesos elementares ideais de Pb 33,7%, Sn 25,7%, S 24,3%, Sb 13,2% e Fe 3,0%. Impurezas comuns incluem prata (Ag). Essa composição reflete sua classificação como sulfossalt, com camadas alternadas de estruturas pseudohexagonais e pseudotetragonais.
Propriedades Físicas
As propriedades físicas da cilindrita a distinguem como um mineral denso e macio. Sua dureza na escala de Mohs é de 2,5, com dureza Vickers variando de 54 a 93 kg/mm². A densidade relativa (gravidade específica) mede-se entre 5,43 e 5,49 g/cm³, com valor calculado de 5,443 g/cm³. O ponto de fusão não é diretamente reportado, mas minerais relacionados fundem em torno de 900°C, embora a cilindrita possa decompor-se antes. A clivagem é perfeita ao longo do plano {100}, enquanto a fratura é maleável, deformando-se em vez de quebrar.
Propriedades Ópticas
Ópticamente, a cilindrita é opaca, com cor cinza-preto e traço preto. Seu brilho é metálico, e a transparência é nula (diafaneidade opaca). O índice de refração não é aplicável de forma convencional devido à opacidade, mas dados de refletividade (R₁ e R₂) são disponíveis: por exemplo, a 400 nm, R₁=34,5% e R₂=40,3%; a 700 nm, R₁=28,4% e R₂=34,4%. Apresenta anisotropismo distinto, de cinza a marrom-amarelado, e pleocroísmo fraco.
Cristalização
A cilindrita cristaliza no sistema triclínico, classe pinacoidal (1), grupo espacial P1. Seu hábito é maciço ou cilíndrico, formando conchas concêntricas suaves sob pressão, ou agregados esféricos. A morfologia cilíndrica resulta de modulações incommensuráveis em sua estrutura, com sub-células pseudotetragonais e pseudohexagonais.
Localização Geográfica
Geograficamente, a cilindrita ocorre principalmente em veios hidrotermais de estanho na Bolívia, como nas minas Santa Cruz, Trinacria e Candelaria em Oruro e Potosí. Outras localidades incluem Argentina (Província de Jujuy), Irlanda (Leinster), Japão (Prefeitura de Miyagi), Rússia (Oblast de Irkutsk) e Ucrânia (Oblast de Donetsk). Está associada a minerais como esfalerita, pirita, quartzo, franckeita, wurzita, estannita e cassiterita.
Utilização
Como minério secundário de estanho, a cilindrita é extraída em depósitos polimetálicos, contribuindo para a produção de estanho, chumbo e antimônio. Principalmente valorizada como item de coleção devido à sua raridade e hábito único, mostra promessa em eletrônicos, como circuitos fotônicos e transistores, graças às suas propriedades de heterostrutura van der Waals natural.
Notícias Recentes sobre o Mineral
Nos últimos anos, a cilindrita tem sido associada indiretamente a explorações de estanho na Bolívia, impulsionadas pela demanda global por metais críticos. Em setembro de 2025, a Eloro Resources reportou a interseção mais longa e de maior teor de estanho no projeto Iska Iska, Potosí, Bolívia, com 257,5 metros a 1,10% de Sn, potencialmente incluindo minerais como cilindrita em depósitos polimetálicos. Em outubro de 2025, a Tincorp Metals Inc. destacou sua missão de descobrir novos depósitos de estanho na Bolívia, sendo o quinto em 40 anos, em regiões ricas em sulfossalts como a cilindrita. Além disso, em dezembro de 2025, relatórios sobre a recuperação do setor minerário boliviano sob um governo pró-negócios mencionam expansões em recursos polimetálicos, elevando o interesse em minerais como a cilindrita. Essas novidades indicam um renascimento na exploração de estanho, com potencial para novas ocorrências de cilindrita.
Conclusão
A cilindrita, com sua herança boliviana e propriedades únicas, continua a intrigar cientistas e colecionadores. De sua origem grega a suas aplicações emergentes em nanotecnologia, exemplifica a interseção entre geologia e inovação. Com o aumento da demanda por estanho sustentável, espera-se que a cilindrita ganhe maior relevância em pesquisas futuras, contribuindo para o avanço da ciência dos materiais e da mineração responsável.

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